Um Amor que Começa de Dentro
Hoje, sinto a vida sussurrar um segredo:
O que busco no outro é reflexo do que perdi em mim.
O amor que desejava… os amigos que me faltam…
Não estão lá fora, mas no espaço vazio que habita cá dentro.
Quantas vezes, com medo de ser rejeitada,
escondi o que realmente sentia?
Disse o que achava que queriam ouvir,
menti para o outro porque antes já tinha mentido a mim mesma.
E assim, no silêncio de desencontros e palavras vagas,
deixei que as portas fechassem antes de as abrir de verdade.
Olho agora para as minhas mãos,
e vejo nelas as garras que podem agarrar a vida.
Percebo que não são os outros que devem salvar-me,
mas eu que preciso aprender a abraçar-me.
E ao abraçar-me,
descubro que também mereço ser abraçada.
O afastamento dos amigos?
Foi o reflexo do distanciamento que tive de mim mesma.
O medo do amor?
Foi a voz que dizia que não saberia lidar com ele.
Mas não há tempo perdido, só lições.
As ausências não são castigos, são convites:
Para olhar para dentro, para curar a solidão com a minha própria companhia.
E perceber que a amizade que procuro no mundo
e o amor que desejo receber
só podem germinar em solo fértil:
o solo que preparo, dia a dia, com cuidado e amor-próprio.
Hoje, faço as pazes comigo.
Acolho a minha vulnerabilidade como uma velha amiga.
Se chorei pela falta de amigos, sei agora:
Não preciso de multidões, mas de conexões verdadeiras.
E se me enganei no amor, sei agora:
Amar começa em casa, dentro do meu próprio peito.
Reaprendo a viver, a criar laços genuínos,
porque antes de ser da vida de alguém,
sou, sobretudo, da minha própria vida.
E isso, descobri, é a maior das dádivas.
--- Margarida
GuiDa GranDe
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