A Dança das Cinco Margaridas



 A Dança das Cinco Margaridas

No silêncio da manhã, quando a alma respira antes do corpo,
ouço ecos de palavras antigas, promessas não ditas.
"Não é nada sério", sussurrava o medo,
um medo que fingia ser escudo,
mas era prisão.

Era uma frase, não para ele, mas para mim,
uma mentira que me oferecia um conforto fugaz,
um refúgio para quem nunca aprendeu a receber,
e, quem sabe, a dar.
O coração que tanto anseia por amor
é também aquele que teme tocá-lo.

O ego, ferido e em pedaços,
fez-se mestre de cerimónias desta peça,
criando danças desajeitadas de fuga e proteção,
construindo castelos de fumo
que se dissolvem em veneno,
corroendo a alma que apenas queria ser vista.

Mas agora vejo:
o fogo que consumia não era inferno,
era alquimia.
Era o meu próprio renascimento,
um convite para purificar e clarear o que sempre esteve em mim.

E assim, como as pétalas de uma margarida,
as cinco partes de mim começam a dançar,
num alinhamento subtil, numa sinfonia de reencontros:

A coragem, antes trémula, agora aprende a esperar,
pois a vida, generosa, oferece o que é certo no seu tempo.

A validação, antes mendigada, floresce em mim;
sou eu quem dá permissão para ser inteira.

A audácia, uma semente no vento,
encontra em mim o solo fértil para crescer.

A sabedoria, que outrora parecia distante,
revela-se como uma amiga antiga, já residente no meu ser.

E as sombras, tão temidas,
não são monstros, mas guias,
apontando o que ainda carece de amor e aceitação.

Eu, Margarida, não sou fragmento.
Sou a flor inteira,
sou o sol que me aquece,
sou a chuva que me renova,
sou o solo que me sustenta.

E nesta dança, nesta jornada de cada amanhecer,
não há pressa, não há engano,
só o desabrochar paciente

de quem já não tem medo de ser.

Uma essência que se transforma a cada dia,
que floresce com a luz do sol,
mas que também encontra força nas noites mais escuras.

A dança das 5 Margaridas não tem fim.
É uma jornada, um movimento constante,
um convite para me amar profundamente
e viver plenamente quem sou.

E assim, passo a passo,
dança a minha alma,
livre, leve, e verdadeira.

Sou Margarida,
e a minha alma resiste,
alvoraça,
e reescreve a sua verdade.


Margarida palavras da alma

Comentários