A Pura Verdade


Por vezes, a vida leva-nos a um ponto em que precisamos de parar, respirar fundo e olhar para dentro. É isso que tenho feito, passo a passo. Este ano tem sido desafiante, mas ao mesmo tempo, tem sido um dos mais importantes da minha vida.

Este ano marquei meio século e possivelmente passou o tanto quanto me falta para o ponto final da minha vida. E por isso a ânsia de ir numa velocidade completamente descompassada e o fato, é, será que é para mim esta pressa está de fato alinhado com aquilo que realmente eu sou, então?! porque o fiz, "tenho de apressar", pensamento sabotador de "tens de te despachar não há tempo a perder".

Foram mais de 28 anos de casamento, uma relação com momentos felizes, mas também com muitos silêncios. Silêncios que deixaram sentimentos por dizer, verdades por revelar. Entendo agora que, durante muito tempo, não fui fiel ao que sentia, por medo de ser abandonada. O medo de enfrentar as minhas emoções, de falar abertamente, levou-me a um lugar onde me perdi de mim mesma.

Descobri que muitas das minhas escolhas emocionais podem estar enraizadas numa perda profunda que vivi aos três anos, quando o meu pai partiu. Essa falta de proteção, essa ausência, marcou-me de formas que só agora começo a desvendar. Percebo que a vida, ao longo dos anos, me trouxe parceiros e experiências que refletiam essa ferida, uma tentativa inconsciente de preencher um vazio antigo.

Hoje, escolho enfrentar esse vazio. Escolho acolher as minhas dores, medos e fragilidades para as transformar. Sei que os padrões emocionais não mudam de um dia para o outro, mas sei também que cada passo que dou é uma vitória. Aprender a falar sobre o que sinto, a fazer perguntas, a procurar a verdade... tudo isso é novo para mim, mas profundamente libertador.

Mais do que nunca, compreendo que a felicidade não está num relacionamento perfeito, num "amor de cinema". A felicidade está em nutrir o meu interior, em descobrir o paraíso dentro de mim, onde o amor não é um sentimento efémero, mas um estado puro de ser.

Hoje, decido amar-me tal como sou: uma pessoa imperfeita, mas inteira. Decido viver cada dia com autenticidade, nutrir o meu coração e cuidar de mim. Sei que, ao fazer isso, estou a transformar não só a minha vida, mas também a vida da minha filha e a criar algo que, no futuro, quero deixar como legado.

O meu desejo é ajudar outras pessoas que, como eu, se viram perdidas na ansiedade, no medo do futuro, na solidão ou na ideia de que "o tempo está a escapar". Quero ser uma luz no caminho de quem precisa de recomeçar, de quem precisa de descobrir que a vida é agora – e que o amor começa sempre dentro de nós.

Este é o início da minha jornada para crescer e fazer a diferença. E quero partilhar convosco cada passo deste caminho, porque sei que não estou sozinha.

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