Como uma fénix que sente o calor das suas próprias cinzas, permito que a dor e a ansiedade me envolvam, mas não me definam.
Que sejam combustível, não prisão.
Este ano tem sido um renascimento forçado, como o último voo de uma fénix que já não reconhece o seu próprio céu. Em cada queda, em cada maré que ameaça me afogar, descubro o poder oculto no confronto.
A fénix não teme as chamas que a consomem — ela sabe que essas mesmas chamas lhe devolverão asas novas.
E, assim, renasce.
Entre a ansiedade que, por vezes, grita e a paz que emana num breve momento de calma, danço numa corda fina, suspensa entre o medo de desaparecer e a vontade de ser.
A cada respiração, digo-me: "Não preciso fugir desta ansiedade. Preciso apenas de a acolher e ouvir o que ela me quer contar."
É nas sombras das maiores batalhas internas que nasce a transformação, que encontro as respostas que a minha mente tenta abafar. E assim, renasço uma e outra vez.
Não sei quantas vidas mais serei capaz de queimar e reconstruir, mas sei que, a cada volta, o meu coração se aproxima um pouco mais do porto tranquilo que procuro. "Ser feliz"
E tu, és capaz de acolher as chamas da tua ansiedade como o fogo sagrado que te transformará?
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Margarida
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