Esta sou eu....





Hoje compreendo que sou feita de intensidades, de altos e baixos emocionais, e de uma sensibilidade que muitas vezes não consigo expressar. Por muito tempo, escondi os meus sentimentos com medo de os perder ou, pior, de me perder neles. Mas agora percebo que essa fuga me afastou do que sou: uma pessoa de coração quente, apaixonada pela simplicidade da vida.

Há uma verdade em mim que pulsa no silêncio do pôr do sol, no toque frio da água da ribeira, no cheiro da terra molhada após a chuva. É nesses momentos banais que encontro o meu centro, a minha essência que esteve escondida por medo, mas que nunca deixou de existir.

Sim, sinto profundamente as deceções, especialmente quando dou o meu melhor aos outros e não recebo o mesmo de volta. Mas aprendi que ser fiel aos meus valores é a minha força, e que não preciso mudar para agradar ninguém. A vida, com a sua sabedoria infinita, vai trazer-me exatamente o que mereço, desde que eu esteja aberta a receber.

As lágrimas que caem dos meus olhos não são fraqueza; são o meu espírito a purificar-se, a chamar-me de volta para mim mesma. Cada gota é um lembrete de que o amor — aquele amor verdadeiro, simples e puro — sempre esteve no centro do meu ser. Ele não desapareceu, apenas se escondeu, esperando o momento em que eu estaria pronta para o abraçar novamente.

Agora sei que o meu ego, por mais que tente proteger-me, nem sempre sabe o que é melhor para mim. Ele confunde o medo com necessidade, e a ansiedade com desejo. Mas sou mais do que ele. Sou aquela que ama com autenticidade, que busca o calor do sol e a serenidade do mato. Sou quem sou, e isso é mais do que suficiente.

Neste caminho de reencontro, estou a nutrir o meu centro, a abraçar a simplicidade e a permitir-me dar e receber o amor que mereço. Porque, no fundo, a vida é uma dança entre aquilo que damos e aquilo que permitimos receber — e eu estou pronta para dançar.

Comentários