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Hoje escrevo porque a alma pede, e porque as palavras, por mais desajeitadas, ainda são a forma mais fiel de traduzir o caos que me habita. 

Nasci com o Sol em Gémeos e uma dança constante dentro de mim: não uma, nem duas, mas quatro vozes. Quatro forças que me puxam e repuxam, cada uma para o seu lado, como se a minha existência fosse um tabuleiro de xadrez onde todas as peças se movem ao mesmo tempo, sem ordem, sem regras.

Nasci no dia 22, o número da estabilidade e da estrutura, mas também do peso. Quem entende de astrologia diz que este é o ano de Gémeos, o ano em que o meu signo deve brilhar. 

E eu, onde estou? 

Não nas estrelas, mas aqui, na terra crua, a viver as muitas mortes que o destino me trouxe.

Sim, este ano tem sido um campo de batalhas. Não externas, mas internas. Porque no fundo, sei que o que estou a enfrentar é o reflexo de escolhas que fiz lá atrás. 

Escolhas erradas, feitas por medo, por insegurança, ou por um desejo desesperado de ser aceite pelos outros. 

Quantas vezes troquei a minha essência por migalhas? 

Migalhas de atenção, de afeto, de validação?

Olhando agora para trás, percebo que não me respeitei. Não me vi. Escondi-me atrás de máscaras, esperando que os outros me mostrassem um reflexo que eu pudesse amar. 

Mas a verdade nua e crua é esta: ninguém vai ver em mim aquilo que eu própria não vejo. Ninguém vai priorizar-me se eu não o fizer primeiro.

A vida, com todas as suas dores e perdas, está-me a ensinar isso. 

Amar-me é um ato de coragem. 

Respeitar-me é um compromisso diário. E, por mais desafiante que seja, sei que estas mortes emocionais estão a abrir espaço para algo novo.

Estou num ponto onde a única escolha que faz sentido é escolher-me. 

Não é fácil, mas é necessário. 

E tu, que lês isto, já te escolheste hoje?

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Margarida palavras da alma

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