Não sou Metade sou coração Kintsugi

 


O Coração Kintsugi

Hoje, mais um dia em que respiro,
paro e observo.
Os meus pés, ainda firmes,
estão sobre esta esfera que gira vertiginosamente.
Com tudo o que vivi, a vida sussurra:
abranda, conecta-te,
acolhe o que verdadeiramente importa.

Eu. Inteira.
Não metade, não incompleta,
mas completa, poderosa na minha essência.
A busca desenfreada do lado de fora
deixou-me cansada, vazia,
com uma bússola que apontava para lugar nenhum.

Tomei uma decisão.
A vida é feita de escolhas,
e desta vez escolho seguir a voz que não teme.
Não o ego, que me prende em dúvidas antigas,
mas a fé, que me chama à coragem.

A pergunta ecoa no silêncio:
Qual é a única coisa em que devo focar agora?
A resposta é clara como um rio tranquilo:
curar a minha impaciência.
Essa pressa voraz,
essa urgência que me consome,
não trouxe esperança, apenas dor.

Cheguei ao meio século de vivências,
de encontros e desencontros,
de silêncios calados que já não quero calar.
Basta.
Não quero mais estas correntes invisíveis,
quero ser livre.

Recolho os cacos que carrego,
fragmentos de mim,
e selo-os com uma cola especial:
a da paz, do amor incondicional.
Porque há sempre tempo
para dar três passos atrás
e recomeçar de coração aberto.

Cada ferida que carrego é um fio dourado.
Como na arte do Kintsugi,
transformo as minhas cicatrizes em beleza,
as falhas em força.
E assim, ao invés de esconder,
ilumino cada pedaço que me construiu.

Os encontros que tive,

mesmo os que deixaram dores,
são mestres disfarçados,
espelhos que revelam o que evitamos ver.

Sim, os relacionamentos são instrumentos divinos.
Mostram-nos as nossas sombras,
mas também nos oferecem a possibilidade de cura.
Aprendi que a liberdade está em confiar,
primeiro em mim mesma,
para depois confiar no amor que me rodeia.

Hoje, ergo a cabeça.
Não sou fragmentos.
Não sou de metades.

Não sou meia boca.

Sou inteira.


E cada passo que dou, com calma,
leva-me ao extraordinário que já está prometido.

Porque antes de tudo,
o amor começa aqui.
Em mim.

Margarida palavras da alma

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