Acordei cedo, entre a dúvida e o despertar, sem saber ao certo onde o dia começava. O meu coração... esse, estava em chagas, sangrando verdades há muito enterradas. Uma ferida exposta, pulsando, quase a gritar: “Olha para mim! Cuida de mim, e eu cuidarei de ti.”
Hoje, escolhi escutar. Antes de tudo, sentei-me em silêncio e toquei o centro do peito. E foi ali, nesse lugar onde a dor parece habitar, que encontrei algo mais profundo: um amor adormecido, esperando ser desperto. Uma luz cálida, quase tímida, mas capaz de transcender.
Enviei esse amor. Primeiro, para os meus filhos, para os seus sonhos e risos que tanto me nutrem. Depois, para a minha irmã e sua família
, para os amigos, para aqueles que vivem no silêncio das suas dores. Para os desconhecidos que caminham perdidos, à procura de algo que ainda não sabem nomear.
Podes perguntar: "Como se cura o que sangra, partilhando-o com o mundo?"
Mas é assim que a ferida se fecha: ao deixar fluir, ao transformar o que dói em algo que liberta. O amor cresce quando é dado; quanto mais o envio, mais ele brota em mim. Percorre-me como uma maré suave, lavando as mágoas, acalmando a carne viva.
Hoje, decidi que o cuidado começa em mim. O espelho refletirá o que escolho plantar no meu coração. E se ele estiver encharcado de amor, cada pedaço de mim transbordará.
Não, não curei tudo. Ainda sangro. Mas, em cada respiração, encontro o bálsamo para as cicatrizes.
Hoje já fiz algo por mim e pelo mundo. Sou grata, profundamente grata, pelo simples ato de amar, de me amar.
Margarida palavras da alma
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