O caminho em terra batida estende-se sob os meus pés, feito de pedrinhas, pedras e areia. É um chão que acolhe os passos e os carros, que suporta gerações inteiras, permanecendo firme, embora sempre em mutação. Camadas de terra, folhas e chuva moldam a sua profundidade e inclinação, tornando-o mais robusto. O sol seca, a chuva suaviza, e, no
entanto, ele permanece — eterno em sua função, fiel em sua essência.
A terra, que nos dá estrutura e abrigo, é também o ponto de partida e chegada. É ela que sustenta os nossos caminhos, levando-nos para onde o destino, já traçado antes de nascermos, nos espera. Este mundo, este laboratório de experiências repletas de nuances, é ao mesmo tempo doce e amargo, luz e sombra.
Sob uma noite de lua nova, ouço o uivo de um lobo ao longe. Ele recorda a importância da alcateia — aquela que é o centro do seu universo. A minha alcateia é feita de mim e da minha filha. Sei que só posso contar comigo mesma, para mim mesma. O resto? É apenas o resto.
Não estou sozinha, nunca estive. A vida pulsa no meu centro, carregada das memórias do hoje e das marcas de um passado que remonta a tempos longínquos. Uma linhagem destemida de mulheres corre nas minhas veias — mulheres corajosas, de fé inabalável, que enfrentaram a vida com a certeza de quem sabe quem é.
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