Afinal, a existência é banal




 Afinal, a existência é tão banal

O caminho em terra batida estende-se sob os meus pés, feito de pedrinhas, pedras e areia. É um chão que acolhe os passos e os carros, que suporta gerações inteiras, permanecendo firme, embora sempre em mutação. Camadas de terra, folhas e chuva moldam a sua profundidade e inclinação, tornando-o mais robusto. O sol seca, a chuva suaviza, e, no
entanto, ele permanece — eterno em sua função, fiel em sua essência.

A terra, que nos dá estrutura e abrigo, é também o ponto de partida e chegada. É ela que sustenta os nossos caminhos, levando-nos para onde o destino, já traçado antes de nascermos, nos espera. Este mundo, este laboratório de experiências repletas de nuances, é ao mesmo tempo doce e amargo, luz e sombra.

Sob uma noite de lua nova, ouço o uivo de um lobo ao longe. Ele recorda a importância da alcateia — aquela que é o centro do seu universo. A minha alcateia é feita de mim e da minha filha. Sei que só posso contar comigo mesma, para mim mesma. O resto? É apenas o resto.

Não estou sozinha, nunca estive. A vida pulsa no meu centro, carregada das memórias do hoje e das marcas de um passado que remonta a tempos longínquos. Uma linhagem destemida de mulheres corre nas minhas veias — mulheres corajosas, de fé inabalável, que enfrentaram a vida com a certeza de quem sabe quem é.

E eu sei quem sou. Sou feita de imperfeições e de um amor que transcende tudo. Um amor que não se mede, que não se limita a circunstâncias ou pessoas. Um amor que me faz lembrar que nunca me perdi, apenas escolhi estar aqui, nesta experiência terrena.

Afinal, a existência é isso: tão simples, tão banal, tão extraordinária.

Margarida palavras que vem da alma...

Comentários