A Primavera Aguarda-me
Há momentos em que a vida pede silêncio,
não o silêncio do vazio, mas o da reconstrução.
Como a terra fértil que, em repouso, prepara o solo,
cultivo o meu mundo interior,
nutrindo-o com amor-próprio e sementes de esperança.
É tentador abrir as janelas digitais e deixar o mundo entrar,
mas hoje escolho fechar a porta que não me leva ao caminho certo.
Escolho ficar só, não por solidão,
mas por respeito ao espaço sagrado que estou a criar dentro de mim.
A Margarida que sempre esteve lá
está a despontar como uma flor que esperou pela estação certa.
Na próxima primavera, quero florescer inteira,
cheia de mim, vibrante, pulsante, inabalável.
Quero ser como a tempestade que leva tudo o que não serve,
mas deixa um rasto de frescura, força e verdade.
Estou a dar à luz uma nova versão de mim.
Um parto de luz, de coragem, de vida plena.
E, enquanto me dou à luz, os meus projetos ganham corpo,
ganham a energia de quem aprendeu a amar-se,
de quem sabe que tudo o que é genuíno chegará no seu tempo.
Nesta jornada, renasço não só para mim,
mas para estender a mão a quem também precisa de luz.
Tal como precisei, hoje posso ser a força.
Hoje posso ser a guia,
aquela que caminha com coragem e convida os outros a fazer o mesmo.
Porque isso, sim, é poder pessoal.
É saber que a primavera nunca falha,
e que, quando ela chegar, estarei pronta para florescer. 🌸
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