Houve um tempo em que, nos silêncios da minha alma, eu sussurrava ao universo: "Envia-me alguém que me ensine a verdade." Não sabia ao certo o que esperava, mas ansiava por um encontro que rasgasse os véus das ilusões.
E então ele veio, não como um mestre envolto em sabedoria evidente, mas como um espelho. Refletiu-me o que eu não queria ver, mostrou-me as sombras que negava em mim mesma. Não era um guia com respostas prontas, mas um catalisador das perguntas certas.
Envolvi-me na trama dos nossos encontros, no doce e amargo das expectativas. Em cada desencontro, uma lição oculta. Em cada silêncio, o eco da minha própria voz, dizendo-me que a busca pelo outro era, na verdade, uma fuga de mim.
A dor perfurou-me o peito, mas foi esta dor que desatou os nós que me prendiam. E, aos poucos, aprendi a amar sem correntes, a desapegar sem rancores. Descobri que o amor que verdadeiramente cura não clama posse nem exige reciprocidade; é como o sol que brilha sem escolher a quem aquecer.
Agora, vejo com clareza: ele não veio para ser meu porto seguro, mas para ser o vento que me levasse ao alto-mar, onde me reencontro, onde me reconstruo. Ele foi o reflexo que me mostrou as partes de mim que clamavam por cuidado, por aceitação, por transformação.
A verdade que pedi ao universo não chegou como uma revelação mística. Chegou como um espelho partido, onde cada pedaço refletia uma parte de mim. Não era ele que guardava a verdade; era eu, o tempo todo.
Agradeço ao mestre que nunca soube sê-lo. A sua passagem deixou-me mais forte, mais consciente e, acima de tudo, mais livre. Não guardo mágoas, apenas gratidão.
E agora sei: aquele que ensina a verdade não está lá fora. Ele habita dentro de mim, esperando que eu ouça, que eu sinta, que eu aceite.
Margarida palavras da alma
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