Eu sou um universo inteiro,
não uma metade à espera de ser preenchida.
As minhas asas foram moldadas na força de tempestades,
e os meus pés, que caminharam por desertos de solidão,
sabem o caminho do retorno para casa:
para mim mesma.
Eu quero ser verdade,
não a sombra de quem tenta agradar para ser aceite.
Quero amar com a liberdade de quem não teme ser inteira,
de quem não precisa esconder o brilho para caber no olhar de outro.
Sim, sonho com um amor.
Um amor que não me peça para ser menos,
que não se assuste com a intensidade do meu fogo,
nem fuja ao ver os labirintos da minha alma.
Sonho com um amor que dance comigo,
ao som do agora,
sem pressa de fugir nem medo de ficar.
Mas até esse amor chegar,
ou renascer de algum lugar onde o tempo o guardou,
eu sou o meu próprio refúgio,
o sol que aquece os dias frios,
a força que levanta muros de paz em volta do meu coração.
Não mendigo migalhas.
Se for para me dar amor,
que venha com fome de construir pontes,
não com desculpas para erguer muros.
Eu sou o tesouro,
não a promessa vazia.
E quem ousar me amar,
terá que amar também as minhas cicatrizes,
os espinhos que guardam as minhas flores
e o vulcão que habita no meu peito.
Porque eu já me encontrei.
E nunca mais me perco.
Quem quiser caminhar ao meu lado,
terá que vir com alma aberta e coragem nos olhos.
Porque só quem sabe o que é ser inteiro
pode realmente compreender o infinito.
Margarida Baptista palavras que vem da alma
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