Não quero o morno.
O morno é o meio-termo que me entorpece,
é o sol encoberto por nuvens densas,
é a água que não sacia nem refresca.
O morno, para mim, é vazio disfarçado de conforto,
um engano que nunca poderá aquecer a alma.
Quero o calor do sol a beijar a minha pele,
a intensidade de um fogo que arde sem medo,
a frescura de uma água cristalina que lava e renova.
Quero um amor inteiro, sem pausas, sem metades,
um amor que chegue com as malas prontas para ficar,
que não traga relógios, porque comigo o tempo é eterno.
Quero colo onde o silêncio se transforme em paz,
caricias na cabeça que desenhe constelações no meu cabelo,
sonhos que se construam em noites de riso e promessas.
Quero alguém que, ao olhar para mim, veja mais do que olhos,
veja alma, nuances, mares e tempestades,
e que não tenha medo de mergulhar até ao fundo.
Quero alguém que leia o meu silêncio como um poema,
que entenda as minhas pausas e não precise de legendas,
que traga consigo mais abraços do que ausências,
mais presença do que ecos de saudade.
Quero o sabor inteiro da vida, com recheio e cobertura,
um amor que seja sobremesa e prato principal,
sem dietas emocionais ou metades divididas.
Quero dançar no meio da rua sem música,
que me acompanhe no ritmo da vida,
que segure as minhas mãos quando eu tropeçar,
e que me olhe como se o mundo coubesse em mim.
Quero ser o consolo nos dias cinzentos,
a palavra que aquece, o abraço que consola.
Quero dar todo o amor que transborda de mim,
e quero alguém que saiba recebê-lo com coragem,
que saiba que comigo é quente ou não é nada.
Não sou de morno, porque o morno é insosso,
é um voo que nunca alcança o céu.
Eu sou feita de extremos, de sol ardente e de mar gelado,
e só quero alguém que venha inteiro,
que fique inteiro,
e que, juntos, sejamos mais do que dois.
Margarida palavras com alma
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