As entranhas reclamam, purgando o peso de memórias antigas, de expectativas que nunca se cumpriram, de fardos que nunca foram meus. Vomito o que não é mais necessário, liberto-me em lágrimas que não doem, mas lavam. Cada dor torna-se a prova viva de que estou a mudar, de que estou a caminhar para um lugar mais leve, mais meu.
Gosto da vida. Sinto-a em cada raio de sol que toca o meu rosto, como um beijo divino que me diz: "Estás viva, e isso basta". E nesse simples toque de luz, há uma promessa de algo maior, algo que transcende o que os olhos podem ver. É como se o universo, com toda a sua imensidão, estivesse a lembrar-me de que sou parte dele, de que sou amor e sou luz, mesmo nos dias em que me sinto perdida.
Respiro fundo e sinto os meus pulmões libertarem-se de rancores, de medos que antes me paralisavam, de raivas que só pertencem ao passado. Cada expiração é um adeus ao que já não me serve, e cada inspiração é um convite para o que está por vir.
Despeço-me das ilusões que construí com pressa e desespero, das histórias que o ego insiste em repetir. Agora vejo: eram lições, não castigos. Eram degraus, não muralhas. Aceito-as pelo que são e continuo.
Estou a dar um salto de fé. Não sei onde vou aterrar, mas isso já não importa. O essencial é este momento de voo, o ato de confiar, o ato de ir.
O meu salto de fé não é um salto no vazio, mas um passo consciente para a minha própria verdade. Não é sobre arriscar sem rede, mas sobre confiar na fundação que construí dentro de mim.
Porque dentro de mim, algo maior está a despertar, algo que sempre esteve lá: a certeza de que o caminho à frente será tão vasto quanto o meu desejo de o viver.
Que venha o próximo passo, que venha o amanhã. Hoje, sou luz, sou vida, e isso basta.
By Margarida palavras com alma
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