Sussurros da Alma
Há uma dança na madrugada,
um murmúrio que atravessa o silêncio,
como se o tempo se desmanchasse
e o espaço entre nós fosse apenas ilusão.
A minha alma chama, inquieta,
e nos corredores do invisível,
vejo-te.
Não com os olhos, mas com a memória do coração,
com a textura dos sonhos.
O mundo cessa, o trabalho pausa,
e lá estás, inteiro,
não como sombra, mas presença.
Os meus lábios, movem-se em busca do que não tocam,
o corpo, inquieto, responde a um eco,
uma melodia antiga que só ele entende.
És um suspiro que não controlo,
um destino que insiste em cruzar-se
mesmo sem trilhos visíveis.
És o íman do qual não quero fugir,
e cada célula minha
dança ao som de um chamado que não sei calar.
Sei que és mais que um pensamento.
És vento que traz memórias,
mar que recua e avança,
e eu, como rocha,
permaneço.
O que será este encontro
senão um contrato feito no éter?
Um fio entrelaçado no tecido da eternidade,
que me lembra, vez após vez,
que viver sem este ardor
seria negar a própria alma.
Que os céus nos guiem,
que os passos se alinhem ou se libertem.
Mas que esta dança,
mesmo invisível,
nunca perca o seu ritmo.
Margarida palavras da alma
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