Dentro de cada um de nós, há um campo onde duas forças dançam. A alma, leve como a brisa da manhã, sussurra desejos profundos, eternos, alinhados com o céu que nos habita. E o ego, qual guardião de muralhas, ergue barreiras de medos e ilusões, temendo tempestades que talvez nunca venham.
A alma sabe o que precisa. É sábia como o rio que segue o seu curso, mesmo sem mapa, apenas confiando no descer da montanha. Já o ego teme o desconhecido, segurando-se a pedras que julga preciosas, mas que são apenas peso.
Aceitar esta dança, tal como ela é, é a chave para a plenitude. Não lutar contra os passos da alma, nem recriminar os passos hesitantes do ego, mas escutar o compasso, permitir que a melodia se revele. Amar-nos assim, inteiros, é o ato supremo de amor – o amor que, quando verdadeiro, transborda e toca o outro com delicadeza e verdade.
Há um segredo que o universo conhece bem: aquilo que carregamos em nós, entregamos ao mundo. Somos espelhos, refletindo a luz ou a sombra que nutrimos. Palavras, pensamentos, intenções – tudo vibra, tudo germina.
Lembro-me de um pequeno ritual com arroz e vidro. Dois potes, duas vibrações. Palavras de amor num, palavras de desamor noutro. O primeiro floresceu em veludo rosa, enquanto o segundo escureceu em sombras. A lição era simples e profunda: as palavras criam. São sementes lançadas ao vento, e o que dizemos, quer em sussurro ou em grito, molda o jardim da nossa existência.
Por isso, que o verbo seja luz. Que as palavras tecidas sejam fios de ouro, elevando a vibração de quem somos. Porque a terra é um lugar esplêndido, um palco onde Deus nos dá, todos os dias, o presente de começar de novo.
Então, paciência. Paciência com o outro, cujas barreiras são castelos que ele ainda não soube desmontar. Paciência conosco, enquanto aprendemos a ouvir a alma e a permitir que o ego baixe as armas.
E no meio desta dança, lembrar: as palavras que proferimos são a música. Que sejam suaves, que sejam belas. Que nos elevem e nos guiem para onde o amor floresce, em nós e para além de nós. Porque o universo ouve – sempre ouve – e devolve o que criamos com a nossa voz.
Margarida palavras da alma
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