Eu Sou Margarida
deixa-me ver se consigo dizer que eu sou, e tu consegues responder à pergunta quem és tu?
Eu sou uma mulher que aprendeu a encontrar o seu lugar no mundo, não em busca de aceitação, mas no conforto de ser quem é. Não me contento com migalhas, pois o que me move não são restos, mas banquetes de amor-próprio e dignidade. Não fico à espera do que nunca chega, nem persigo quem não caminha na minha direção. Sou livre, e essa liberdade não é solidão, mas plenitude.
Estou a aprender, a cada dia, o valor de estar comigo mesma. Na solidão, há um espaço sagrado onde me encontro, onde cuido do meu corpo, da minha alma e do meu espírito. Adoro o ritual de um banho de espuma, enquanto um copo de vinho me faz companhia. A automassagem com óleos aquecidos é como um abraço que eu mesma me dou, e a limpeza do rosto não é apenas estética, mas uma forma de me despir das máscaras do mundo.
Sou uma mulher que encontra a sua essência na natureza. Amo andar pelo mato, onde o verde é tão denso que parece abraçar-me, e os sons da natureza são uma melodia que me reconecta ao universo. Não procuro a confusão dos centros urbanos; prefiro a tranquilidade do mar, onde a ronquidão das ondas ressoa dentro de mim. O sol aquece-me, a chuva lava-me, e o vento... o vento é meu irmão. Ele dança comigo, ele corre comigo, ele é a minha ventania.
Sim, já me disseram que sou um furacão, e eu acredito. Por onde passo, transformo. Não há como ser pequena quando a alma é feita de tempestades e calmarias. Mas não sou apenas furacão. Sou também flor, pois trago em mim a doçura e a força das pétalas que desabrocham apesar dos ventos. Margarida é o meu nome, e como a flor que o carrega, sou simplicidade e beleza, sou resistência e luz.
Eu sei que tudo o que vivi até aqui foi para me moldar, para me fortalecer, para me tornar uma pérola dentro da concha. As dores que carreguei foram lições, e o sofrimento transformou-se na substância que hoje me torna extraordinária. E não, isso não é egoísmo. É amor-próprio, é aceitação de quem sou, é celebração de quem estou a tornar-me.
Eu sou autoconfiança em construção. Cada dia que passa é mais um tijolo na edificação do meu templo interno. Eu sou uma obra-prima em progresso, uma sinfonia que ainda está a ser escrita. E sei que sou extraordinária, porque aprendi a olhar para mim mesma com os olhos da compaixão e do respeito.
E mereço o extraordinário. Não porque o busque, mas porque o atraio. Porque aquilo que vibra dentro de mim é um campo magnético que chama o que é verdadeiro, puro e grandioso. E eu estou pronta para acolher.
Eu sou Margarida. Mulher, flor, furacão, perolada pelas dores e lapidada pelos amores. Sou a brisa e a tempestade, a delicadeza e a força. Sou o que sou, e isso basta.
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