O inverno traz consigo um convite silencioso. Não há pressa, não há distrações brilhantes, apenas o frio a nos lembrar de que tudo o que é vivo necessita de pausa, de recolhimento. Neste momento da vida, sinto que o amor que habita em mim é como uma chama branda, porém constante, a iluminar o caminho do que sou e do que ainda estou a descobrir.
Há algo no ar gélido que me reconecta ao meu centro, como se o mundo lá fora se acalmasse só para que eu pudesse escutar, com mais clareza, o pulsar da minha alma. Este tempo não é sobre exigências, nem pressões; é sobre acolher o que sou, exatamente como sou. Cada emoção, cada silêncio, cada verdade que surge no espaço vazio do meu próprio olhar.
O amor, agora, não é uma procura desesperada. Não é um mendigar de validação ou de presença. É a aceitação serena de que, antes de tudo, sou suficiente. O que me fortalece não é o toque de outro, mas o abraço que dou a mim mesma. Não é o reconhecimento alheio, mas o respeito que ofereço às minhas sombras e às minhas luzes.
É curioso como o inverno, com toda a sua aparente frieza, pode ser um tempo de profunda gentileza. É um recordar de que até os ramos mais despidos aguardam o florescer. Assim, permito-me a espera. Permito-me o não saber. Permito-me olhar para o vazio e encontrar ali um espaço fértil, onde a vida se prepara para germinar.
Neste inverno da minha alma, percebo que o amor é um estado de ser, uma energia que flui naturalmente quando nos conectamos com a nossa verdade mais íntima. Não é um dever ou uma meta. É simplesmente a consequência de nos habitarmos por inteiro.
E mesmo que os ventos soprem, que as noites sejam longas, há algo em mim que permanece intacto: a certeza de que o amor é sempre uma mais-valia. Ele não depende de nada nem de ninguém. Ele é o que somos, quando finalmente deixamos de resistir ao que sentimos.
Que o inverno nos ensine a não temer o silêncio, a pausa, a solidão. Porque é nesse vazio, aparentemente frio, que a alma encontra o calor necessário para crescer e para amar, primeiro a si mesma, e depois ao mundo inteiro.
E, assim, seguimos, um dia de cada vez, fortalecendo-nos no essencial, como quem planta raízes mais profundas enquanto o inverno passa.
Margarida palavras da alma
O tempo é precioso para estar mal
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