Onde o silêncio repousa e onde as palavras repousam

 



Onde o silêncio repousa

No espaço entre palavras não ditas, onde o vazio ecoa, há um mundo inteiro a crescer. Nem todas as histórias precisam de um ponto final imediato; algumas escolhem o intervalo como cenário. É nesses espaços de pausa que o crescimento e a reflexão têm a oportunidade de florescer, como se o intervalo fosse o terreno fértil onde novos significados ganham vida. É aí que aprendemos a respirar.

A respiração, no seu vai e vem constante, guarda um segredo valioso: no intervalo entre o inspirar e o expirar, há uma pausa. Um momento de suspensão quase imperceptível, onde encontramos o verdadeiro equilíbrio. É nesse espaço, entre o que chega e o que parte, que a paz se revela. Nesta percepção contemplativa é que eu encontro a verdadeira existência, onde existe o prazer de estar viva. Lembro-me de um dia específico, em que ao caminhar sozinha à beira-mar, senti o vento a tocar-me o rosto, como se fosse um sussurro da vida a dizer-me que, naquele instante, eu estava exatamente onde devia estar. Foi nesse momento que compreendi que a verdadeira existência está no agora, na simplicidade do ser.

Quando alguém nos pede silêncio, nem sempre é um adeus; às vezes é apenas o reflexo de uma alma que busca reordenar os seus pedaços, e que nem sabe ou não consegue aceder à coragem que existe dentro de si. Não é fácil aceitar esse espaço, mas reconhecer isto é como um ensinamento, que nos convida a soltar sem perder o que realmente importa: a essência de quem somos. Na minha vida, percebi isso quando enfrentei momentos de solidão e dúvida; foram nesses intervalos, ao soltar o que não controlava, que reencontrei o meu centro e compreendi o meu valor.

Sei bem quais são as batalhas e mesmo lutas como se referiu, e sei que as trava, não porque sou adivinha ou bruxa, mas porque já caminhei por labirintos de dor e vivi os meus próprios conflitos internos. É por isso que compreendo: o silêncio agora é o remédio, o bálsamo, como dissesse "não escarafunchem nas feridas porque doem". Reconheço as reservas, as resistências, os medos de se decepcionar e de decepcionar o outro. Não julgo, porque também já os senti.

Hoje, com o coração sereno, olho para o vazio deixado e vejo-o como um convite — não para apagar o passado, mas para preenchê-lo com algo maior, algo meu. Gratidão por esta aprendizagem e me ter feito crescer e acima de tudo por me mostrar que amar é também saber libertar.

Eu sou liberdade. Era também uma emoção que sentia, de que estava presa. Presa ao que não me servia. Agora, não fico onde não sou desejada. Por isso, fico a repousar nas palavras, e nos meus sentimentos ficam arrumados onde devem estar.

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Margarida terapeuta/coach e Mentora Emocional - criadora do método Vencer o Stress 

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