Quando o Orgulho nos Afasta do Amor
Há momentos na vida em que, por mais que queiramos ajudar ou oferecer algo puro e genuíno, a outra pessoa não está pronta para receber. Já estive lá, colada às minhas dores emocionais, presa pelas circunstâncias da vida. Sei bem o que é desdenhar o que nos chega, não porque não o desejemos, mas porque não conseguimos. Porque o peso das feridas e do orgulho nos impede de estender a mão.
O orgulho, muitas vezes, não é mais do que um escudo. Um reflexo de proteção, uma barreira erguida para que ninguém veja o que está por dentro: a dor, o medo, a vulnerabilidade. E, ainda assim, é esse mesmo orgulho que nos fecha as portas ao que poderia curar-nos. Quem não está em sintonia com o amor que lhe é oferecido demonstra que ainda não está curado, que ainda não aprendeu a amar-se a si mesmo.
Eu sei o que é isso. Sei o que é rejeitar o que há de bom por não acreditar ser merecedora, por não saber como aceitar. Mas também sei o que é ultrapassar essa barreira, sair desse ciclo, olhar para dentro e perceber que o amor que buscamos no outro precisa primeiro existir em nós. Foi um caminho longo, com lágrimas e reconstrução, mas foi também o início de uma vida mais verdadeira.
Hoje, escolho o amor próprio. Escolho não desperdiçar a minha energia a tentar alcançar quem não quer ou não pode ser alcançado. Não porque não me importe, mas porque aprendi que o amor dado em desequilíbrio nos desgasta, nos tira a força. O amor deve ser partilhado, fluído, recebido com gratidão. Quando isso não acontece, não significa que o problema está em nós, mas que o outro ainda tem um caminho a percorrer.
Por isso, deixo aqui uma reflexão: que possamos todos olhar para as nossas feridas sem medo, baixar as defesas e permitir-nos receber. Porque amar e ser amado é um movimento que requer coragem. Coragem para abrir o coração, para reconhecer as próprias limitações e, acima de tudo, para acreditar que merecemos o que de bom a vida nos oferece.
E se, algum dia, encontrares alguém que desdenha o amor que tens para dar, lembra-te disto: não é sobre ti, mas sobre o lugar em que o outro se encontra. Não chores por quem não sabe receber, porque essa energia é preciosa. Usa-a para te amares ainda mais, para investires no teu crescimento. O amor, quando é verdadeiro, começa em nós. E quando nos amamos plenamente, atraímos quem está na mesma frequência.
Segue em frente. O teu amor é valioso e merece ser partilhado com quem o acolhe, com quem o respeita, com quem sabe reconhecer o seu valor. Tudo o resto é um convite para continuar a cuidar de ti.
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