Que crenças carregas que te impedem de fluir?
A vida tem o seu próprio ritmo, um compasso que não podemos forçar nem apressar. E no entanto, tantas vezes damos por nós presas em corridas invisíveis, acreditando que é preciso lutar, correr atrás e "merecer" o que já está destinado a nós. Esta crença de que tudo depende de esforço extremo é uma das maiores armadilhas que carregamos — e ela pesa.
Enquanto refletia sobre isso, percebi que sempre tive esta ideia inconsciente de que precisava de me esforçar ao limite para conquistar algo ou alguém. Mas a verdade é que quanto mais corremos atrás, mais aquilo que desejamos parece afastar-se. É como tentar agarrar o vento com as mãos: quanto mais apertamos, mais ele escapa.
Faz-me lembrar uma metáfora simples: imagina que estás a segurar uma cebola gigante. Ao longo da vida, foste acumulando camadas, crenças, expectativas e medos. Estas camadas pesam e dificultam o teu caminhar. Agora, ao invés de correr, que tal começares a descascar essas camadas? Uma a uma, libertando-te do que não te serve, para que possas sentir-te mais leve e fluir com a vida? Cada lágrima que soltas nesse processo é como polir uma pérola dentro de ti: algo precioso que estava escondido, mas que agora começa a brilhar.
Enquanto escrevia estas palavras e refletia sobre as crenças que limitam e geram tanto stress nas nossas vidas, ouvi a música "Peace Be Still". Foi como se cada nota me convidasse a parar de lutar contra a corrente, a confiar que a paz já está dentro de mim. Recomendo que a ouçam enquanto leem este texto ou quando sentirem que as tempestades internas precisam de acalmar. Às vezes, tudo o que precisamos é de um momento para nos reconectar com a nossa essência.
Por isso, convido-te a refletir:
Quais são as crenças que ainda carregas e que te fazem sentir pesada ou presa?
Que camadas da "cebola" da tua vida estão prontas para ser descascadas?
Onde podes soltar a necessidade de correr e, em vez disso, confiar no fluxo da vida?
Quanto mais libertamos o que não somos, mais espaço criamos para sermos quem realmente somos. E é nesse espaço que a vida flui — leve, autêntica e cheia de propósito.
Talvez o extraordinário que procuras fora esteja à espera de ser descoberto dentro de ti. És capaz de criar algo maravilhoso para ti mesma, sem depender de mais ninguém. A tua paz, a tua leveza, a tua felicidade: tudo isso começa em ti.
Termino com este convite: deixa a música, o silêncio ou mesmo as tuas lágrimas guiar-te enquanto descascas as tuas camadas. O melhor ainda está por vir.
Margarida Baptista
Coach Terapeuta Analista e Mentora Emocional
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