Uma entrevista com a vida
Vida: Estás à espera de quem?
Eu: De ninguém. Estou onde devo estar, e estou comigo. Isso basta-me.
Vida: Tens a certeza disso?
Eu: De fato, certeza, certeza não tenho. Mas sei que apenas posso contar comigo mesma. Só a minha companhia é que importa.
Vida: Afinal, pensava que já tinha visto tudo, mas a tua resposta é reveladora. Para quem passou por tanta coisa, saber isso é um sinal de desapego. Diz-me, o que desaprendeste para chegar aqui?
Eu: Desaprendi a carregar expectativas que nunca foram minhas. Desaprendi a dar espaço às situações negativas, aos conflitos que drenam a alma, às discórdias que nos fazem perder o foco. Desaprendi a tolerar gente falsa, mentiras mascaradas de verdades e ambientes tóxicos que nos sufocam. Aprendi a olhar nos olhos do medo, não para enfrentá-lo como um inimigo, mas para compreendê-lo e deixá-lo ir.
Vida: E o que aprendeste no meio desse desapego?
Eu: Aprendi que tudo tem um tempo e um lugar. Aprendi que não somos obrigados a carregar o que nos destrói. Que os caminhos podem ser solitários, mas não precisam ser vazios. Aprendi que quem sabe o que quer, mas tem medo, precisa primeiro atravessar os seus próprios labirintos. E que eu não sou o mapa para essas jornadas. Posso ser apoio, mas não posso ser a solução.
Vida: Então dirias que desapego é uma forma de amor?
Eu: Sim, desapego é amor em estado puro. É reconhecer que a liberdade é essencial, tanto a minha quanto a do outro. É amar sem precisar possuir, sem exigir que o outro preencha os meus vazios. E é, sobretudo, amar-me o suficiente para não me aprisionar onde não sou desejada.
Vida: E o que farás agora, neste ponto da tua caminhada?
Eu: Continuarei a caminhar. Há sempre algo novo no horizonte, sempre algo a aprender. Mas agora, caminho sem pressa. Porque sei que estou comigo e, neste momento, isso basta. Se algo ou alguém vier, que venha por escolha, e não porque precisa preencher um espaço. Se algo ou alguém partir, que leve consigo apenas o que for necessário. No fim, estou onde devo estar.
Vida: Que lição queres deixar para quem te lê?
Eu: Que o amor-próprio é a base de tudo. Que o verdadeiro poder está em ser suficiente para si mesmo. E que a paz não está em controlar o que vem ou o que vai, mas em aceitar o fluxo, o intervalo, o ritmo natural da vida. Afinal, é nos intervalos que encontramos a nossa verdadeira essência.
Vida: Obrigada por partilhares.
Eu: Obrigada por perguntares.
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Margarida Baptista - Mentora Emocional - Criadora método Vencer o Stress
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