O beijo: a cola invisível do amor


O beijo: a cola invisível do amor

Dizem que o beijo é como uma cola. Uma ligação silenciosa, um pacto sussurrado entre dois corpos que se encontram e, por instantes, se permitem ser um só. Mas então, porque é que tantos beijos se perdem? Porque é que há bocas que se tocam sem nunca realmente se encontrarem?

A resposta pode estar no que não nos permitimos. O beijo, por mais físico que pareça, não acontece apenas na pele. Ele nasce antes, muito antes, nos recantos onde guardamos o que sentimos sobre nós mesmos. Num livro de sabedoria, diz-se que o homem tem de amar uma mulher primeiro, porque aquele que se permite dar amor recebe-o elevado a uma potência infinita. E se for esse o segredo do que não vinga? Se o beijo for a cola, o amor é a substância que a ativa.

O homem que se permite amar de verdade abre um espaço para que a mulher receba esse amor e o devolva multiplicado. Mas quando há medo, insegurança ou fechamento, essa energia não flui. O beijo revela tudo. Quando estamos fechados para o amor, a outra pessoa sente isso, e o corpo responde. A entrega hesita, o desejo recua. O beijo torna-se apenas um gesto vazio, porque a alma não se permitiu estar ali.

Mas quando há verdade... ah, quando há verdade, o beijo é uma revolução. Ele acende os centros energéticos, faz vibrar cada célula, desperta memórias ancestrais que os corpos carregam sem saber. No plano invisível, quando duas almas se encontram e se reconhecem, há um festejo do outro lado do véu. No mundo espiritual, tudo já aconteceu antes de acontecer aqui. O beijo sela o que já estava escrito.

E se o amor parece difícil, talvez a resposta seja mais simples do que imaginamos: amar não é difícil. O que é difícil é amar em primeiro nos amarmos a nós mesmos. É esperar receber aquilo que não nos permitimos dar a nós. Porque, se dentro de ti há escassez de merecimento, só vais atrair aqueles que também não estão disponíveis. Só vais cruzar-te com quem, tal como tu, não se permite viver o amor por inteiro.

O beijo, então, será mais do que um gesto. Será um eco de algo muito maior.


Margarida em refletir e existir ...







 

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