O Silêncio que Grita
Há ausências que pesam mais do que palavras. Silêncios que gritam certezas que o coração reluta em aceitar. Mas chega um momento em que já não há espaço para ilusões. Quem não procura, não sente falta. Quem não responde, já decidiu a sua ausência.
Passei tempo demais a provar o meu valor a quem escolheu não ver. A mostrar, em gestos e presença, aquilo que nunca foi reconhecido. E no fim, a verdade impõe-se sem precisar de explicação: há silêncios que não são distração, são decisão.
Hoje, coloco o ponto final. Não espero mais pelo que nunca virá. Não mendigo migalhas de presença nem me perco em ecos vazios onde deveria haver reciprocidade. Dói? Sim, dói. Mas entre esperar por quem se ausenta e escolher-me a mim, hoje escolho-me sem hesitação.
Saio de cabeça erguida, com a certeza de que mereço tudo extraordinário e mais ainda. Um novo começo desenha-se diante de mim, e eu abraço-o com a serenidade de quem finalmente compreendeu o seu próprio valor. Escolho o autocuidado, o meu projeto a florescer, o corpo em movimento, a alma em harmonia. Escolho estar atenta à Inês, às suas necessidades, ao seu riso, ao colo que lhe dou e que, de alguma forma, também me cura.
Lá fora, o céu veste-se de branco e cinza, como se quisesse esconder algo. Mas eu já decifrei a mensagem, mesmo por entre este véu difuso. Escolho-me. Escolho dar-me amor. Escolho fazer diferente, conhecer novas pessoas, ir… ir sem olhar para trás.
Porque quem se sente atacado, no fundo, não reage a mim, mas ao que dentro de si ainda dói. Sei disso porque já estive lá. Já carreguei um orgulho ferido, já neguei o que a vida me oferecia com generosidade.
Mas hoje, sigo mais leve. O coração em paz. Porque cada um tem o seu tempo, as suas dores e os seus caminhos a percorrer.
E isso está certo. Está tudo certo.
Inscreve-te na newsletter para receberes mais conteúdos deste
Margarida palavras da alma
Comentários