Hoje, o dia começou com uma revelação inesperada. Pedi a Deus que me mostrasse o que ainda estava oculto, e a resposta veio com o peso simbólico desta data: o Dia do Pai.
Durante muito tempo, carreguei dentro de mim a crença de que ainda esperava por ele. Talvez fosse um reflexo da ausência, do tempo que passou e apagou o som da sua voz da minha memória. Mas o amor… esse nunca se apagou. Hoje, sei que não preciso mais esperar. Ele esteve sempre comigo.
O meu pai, Alfredo Manuel, era um homem lindo. Inteligente, sábio, um espírito livre como eu. Curiosamente, também era Gémeos. Assim como eu. As almas de ar, que pensam demasiado, que se expandem sem limites, que se perdem por vezes na própria imensidão. E essa tem sido a minha luta: aprender a navegar essa vastidão sem me deixar levar pelas correntes menos boas.
Hoje, em reflexão, percebo que já não espero. Honro o meu pai pelo que foi, pelo que me deu, pelo amor que me deixou enquanto esteve vivo. E isso basta. Ele ensinou-me a sentir, a ser, a amar. E mesmo que a sua voz se tenha desvanecido no tempo, a sua presença nunca me abandonou.
Hoje, deixo a gratidão falar mais alto. Obrigada, meu querido pai. Por me teres dado vida, por me teres dado amor, por me teres mostrado que sou feita de vento e liberdade, mas que posso escolher onde pousar.
E é isso que faço agora. Pouso na gratidão, na aceitação, no amor que permanece. Porque esse, como o vento, nunca se perde. Apenas se transforma.
Margarida Baptista
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