O despertar depois da tempestade
Os dias de tempestade passaram, e por um instante, o sol brilhou. Nem que seja por um bocadinho, iluminou a promessa de uma nova estação. A primavera chegou, mas eu ainda invernei. Porque sinto que é assim que deve ser. Cada um tem o seu ritmo interno, o seu roteiro a seguir. E eu permito-me respeitar o meu.
Entre o florescer da terra e o pulsar dos meus próprios ciclos, vou estabelecendo metas, desenhando projetos que há muito habitam o meu coração. Sonhos que ganham força, porque nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito, mesmo aquilo que parece caos. Tudo se desenrola segundo escolhas – as minhas e as que vieram antes de mim, dos meus ancestrais. Eles abriram caminho para que eu estivesse aqui, nesta era acelerada, onde tudo se obtém num simples clique, mas onde a profundidade parece escapar pelos dedos.
A informação nunca esteve tão acessível, e, paradoxalmente, a consciência nunca pareceu tão dispersa. Falta pensamento crítico. Falta questionamento. Falta a arte de refletir antes de reagir. Observo, e vejo mesas de restaurante ocupadas por silêncios eletrônicos. Famílias que partilham espaço, mas não presença. Se assim é num lugar público, como será dentro de casa?
Mas não me perco nessa divagação. Porque a primavera chega e, com ela, a energia doce de um recomeço. Convida-nos a criar, a agir, mas não a repetir velhos padrões. Não mais do mesmo. As tempestades que nos abalaram não vieram por acaso – foram vassouras cósmicas, levando embora crenças antigas que já não nos servem. A terra está a mudar, e depressa. Quem não acompanhar, quem resistir ao fluxo, sentirá esse choque vibracional.
Sim, o planeta fala conosco. O degelo na Gronelândia, as águas que se movem sem cessar, tudo isso terá impacto. Mas a verdadeira mudança começa na sintonia interna, na forma como escolhemos vibrar.
Por isso, sejamos coerentes. Nada de vitimização. Nada de rancores. Nada de corações pesados. A vibração da terra pede coragem, pede amor, pede paz. E cada um de nós tem um papel nesse equilíbrio.
Que esta primavera nos inspire a elevar não apenas a nossa energia, mas também a deste lar que chamamos Terra.
Bem-vinda, primavera. Que sejas bênção e renascimento.
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