✨ A CABINE DE LUZ ✨
Hoje sonhei…
Naquelas horas em que já não se sabe bem se é noite ou dia.
Um sonho estranho.
Desses que parecem vir de dentro, mas falam na linguagem de algo muito maior do que eu.
Estava sentada.
Não sei bem onde, nem porquê.
De costas virada para a vida.
À espera de quê, não sei.
De repente, senti-me a ser puxada.
Um puxão com força. Rápido.
Algo — ou alguém — chamava por mim, sem dizer palavra.
O corpo foi antes da mente entender.
Virei-me para trás.
Talvez para trás do tempo, talvez para dentro de mim.
E vi-me dentro de uma cabine.
Pequena. Silenciosa.
Toda forrada a madeira clara — talvez pinho — uma madeira que me abraçava,
como se quisesse lembrar-me de que estou viva.
No alto, uma única lâmpada incandescente, amarela, iluminava o espaço e a minha alma.
Não era luz de rua. Nem luz de palco.
Era uma luz que parecia saber o meu nome.
E dizia-me, sem voz:
“Estás aqui.
Não para fugir,
mas para te encontrares.”
Não me lembro de mais nada.
O sonho ficou ali.
Parado. Suspenso.
Como quem espera que eu lhe dê continuidade — acordada.
E descodifiquei-o como uma agulha a correr alinhada.
Ser curiosa, ser quem sou,
é também isso: perceber o que o mundo interior precisa.
Ou melhor: o que eu preciso.
E agora pergunto-me:
Em que parte da minha vida me sinto fechada sem entender bem porquê?
Talvez na área profissional, onde por tanto tempo me senti parada, contida,
presa num tempo onde nada acontecia.
E agora, que surgiu uma nova oportunidade,
parece que fui puxada para dentro de um novo ciclo.
Puxada… como no sonho.
Não fui eu que fui. Foi a vida que me levou.
Ou talvez tenha sido aquela vez, mais íntima, mais sensível,
em que o meu coração me puxou para um encontro inesperado.
Atravessar o caminho dele não foi planeado — foi sentido.
Uma dessas sincronicidades que não se explicam, apenas se vivem.
Senti o puxão da alma.
E será por aqui?
Será a vida a mostrar a mira?
Não sei.
Estou apenas como espectadora…
a ver as cenas dos próximos capítulos.
E agora volto ao sonho.
A cabine.
A madeira.
A luz.
E pergunto-me:
Que parte minha precisa de luz e de acolhimento?
Talvez aquela parte que, por tanto tempo, se esqueceu que é luz.
A que se apaga para caber.
A que duvida. A que hesita.
A que, por vezes, se esquece de que é filha de Deus.
Preciso recordar, no íntimo dos meus dias,
que eu sou luz.
Que Deus está comigo a cada instante.
E mais ainda:
Que Deus é em mim, e eu sou em Deus.
Uma só centelha. Inseparáveis.
Como posso então integrar essa verdade no meu dia a dia?
Sendo fiel ao que sou.
Sem máscaras.
Sem “lambutices”, como escrevi no dia 10.
Não sou de engraxar ninguém.
Não estou aqui para agradar a todos.
Mas sim para honrar a minha presença.
Ser cordial sem ser falsa.
Ser verdadeira sem ferir.
Talvez a cabine de luz seja isso:
um espaço sagrado dentro de mim,
onde a verdade me espera sentada,
à espera que eu pare,
e me lembre:
Que estou viva.
Que sou inteira.
Que há um caminho —
e esse caminho é meu.
Hoje, escolho escutar esse sonho como se fosse um recado.
Como se fosse Deus a dizer:
“Fecha-te um pouco do mundo,
só o suficiente para te acenderes por dentro.”
E então…
que se faça luz.
Dentro.
Para que o fora também brilhe. ✨
Margarida Baptista
Mentora de Mulheres
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