Chega um momento em que ficar onde estou pesa mais do que o medo de ir. E aí, eu escolho-me
Há dias em que as palavras saem dos dedos sem parar.
Não penso muito. Escrevo.
Vai saindo.
Como se houvesse um ritmo entre o que penso, o que sinto e o que preciso de pôr cá fora.
É no meio das letras que percebo: sou o que sou. Sinto o que sinto. Isso é viver.
Sempre que escrevo, há qualquer coisa que se renova dentro de mim.
Algo que se resgata. Algo meu.
Este fim-de-semana senti isso com mais força.
As experiências, as decisões, o que estou a viver — tudo está a fazer mais sentido.
É como se, de repente, a vida estivesse a mostrar com mais clareza o que é para ficar e o que já não faz parte.
E sim, renascer exige fé.
Fé na vida. Mas, acima de tudo, fé em mim.
Lembro-me das palavras de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros como a vós mesmos.”E penso… se eu não me amo, como posso amar alguém de verdade?
Chega de procurar fora o que tenho de encontrar dentro.
Chega de esperar que os outros validem o que só eu posso reconhecer.
Se não me vejo com verdade, o que o outro me devolve vai estar sempre distorcido.
Talvez eu já tenha escrito isto antes.
Mas não faz mal.
Quanto mais esta mensagem for dita, mais pode tocar quem precisa.
A verdade é que a escrita tem sido uma ponte.
Uma ponte para me ouvir, para me reencontrar, para me libertar.
A vida pode ser mesmo mágica — como diz uma amiga minha.
Mágica nas coisas simples: num abraço, numa respiração, num silêncio que cura.
Hoje, com 51 anos, estou a escolher com maturidade.
Mudar de caminhos... vários caminhos se vão abrindo a minha frente,
E também aceitar que certos silêncios...
ou certas descobertas …
são só respostas. Claras. Sem barulho.
Agora sei:
quando a vibração não é a mesma, não vale a pena forçar.
E quando for para ser, a vida vai alinhar.
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