Nem todos sabem receber um “não”
Porque o amor-próprio, às vezes, desafia o ego dos outros
Há “nãos” que doem mais em quem os dá do que em quem os recebe. Porque quem os dá, muitas vezes, já pensou, ponderou, sentiu. Já atravessou noites e silêncios. Já se despediu internamente antes de escrever uma palavra.
Mas há quem ouça um “não” e transforme essa palavra numa arma.
Num julgamento.
Num espelho que não querem encarar.
Recentemente, fui clara com alguém. Agradeci a conversa, o momento, e disse que não era o que procurava. Disse que a viagem era mais importante do que o destino, e que preferia seguir o meu caminho com leveza.
A resposta não demorou — veio com julgamento.
Com desvalorização.
Com uma espécie de ataque travestido de análise emocional.
Com a famosa visita ao meu Facebook para “perceber a razão”.
Há cada um…
O que aprendi?
Que nem todos estão prontos para a rejeição.
Que para alguns, um simples “não” é um gatilho de feridas mal cuidadas.
Que quem não sabe lidar com o próprio vazio, projeta no outro as suas dores.
E que o amor-próprio pode ser lido como arrogância por quem ainda não o conheceu.
Mas também aprendi que a minha paz não está à venda.
Que não preciso justificar o meu silêncio, nem defender a minha escolha.
Que ser emocionalmente equilibrada não é agradar a todos — é saber quando é tempo de ficar e quando é tempo de partir.
Hoje, escrevo este texto como quem fecha uma porta com gratidão.
Não por quem estava do outro lado, mas por mim.
Por ter aprendido que um “não” pode ser o maior “sim” à minha própria verdade.
Margarida Baptista
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