O elevador dos Cinderelos: quando ele sobe, mas não chega
Há homens que não se posicionam, não decidem, não descem até ao coração.
Ficam lá em cima, presos num andar intermédio entre o ego e o medo.
Usam uma capa de orgulho bordada a frases ensaiadas, a selfies viradas para dentro, a silêncios que mais do que maturidade revelam fuga.
São os Cinderelos da nova era.
Bonitos por fora, mas com sapatos apertados demais para caminhar ao lado de uma mulher inteira.
Têm medo da profundidade, mas seduzem-na.
Desejam a mulher desperta, mas não suportam o reflexo que ela lhes devolve.
Sabem o caminho do elevador emocional, mas preferem ficar a apertar o botão de stop.
Evitar. Pausar. Sumir.
Como se o tempo resolvesse o que só a presença pode curar.
E nós?
Quantas vezes já ficámos no rés-do-chão da esperança, à espera que ele descesse?
À espera de um gesto claro, de um “quero-te aqui” dito com o corpo e com a alma?
O elevador dos Cinderelos é moderno, rápido, cheio de espelhos por dentro.
Mas não tem espelhos que reflitam verdade.
É um elevador que sobe até ao orgulho e desce até ao medo,
mas nunca pára no andar do compromisso.
O problema não é ele estar no elevador.
O problema é tu continuares a carregar no botão de chamada.
Porque o teu coração não merece viver na portaria do quase.
Não foste feita para mendigar presença, nem para traduzir silêncios alheios.
Tu és a mulher que mora no último andar,
aquela que tem vista para a alma.
A que não se contenta com um homem que só envia sinais Wi-Fi de madrugada.
A que não quer um príncipe moderno com medo de amar,
mas um homem presente, inteiro, comprometido com a sua própria verdade.
Se ele não desce, tu sobes.
Não para o andar dele.
Mas para o teu.
Para o lugar onde a tua dignidade mora.
Onde o teu silêncio é escolha e não castigo.
Onde esperas sim, mas por alguém que saiba bater à porta com mãos seguras e olhos que não se escondem.
Porque o verdadeiro masculino não foge.
Não se mascara de autoestima quando na verdade o que sente é medo.
O verdadeiro masculino sobe contigo.
E desce se for preciso.
Mas nunca te deixa sozinha no hall da espera.
Assina, Mulher.
Não te acomodes no elevador emocional de ninguém.
Escolhe escadas com vista, mesmo que demorem mais.
Porque tudo o que se constrói com presença, permanece.
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