Faz hoje um ano...
Faz hoje um ano que conheci o uma Brisa....
Num parque, numa vila, num dia de calor.
Foi rápido. Foi intenso.
Foi tudo... e não foi nada.
Uma centelha que me queimou mais do que me iluminou.
Uma pressa vestida de encanto.
Uma história escrita a traço grosso, sem tempo de ver a alma por dentro.
E eu?
Eu achava que era desejo, que era liberdade, que era poder.
Na verdade, era a menina ferida a querer ser amada sem demora.
Era o meu corpo a dizer “quero sentir-me viva”,
e o meu coração a sussurrar “não quero sentir-me só”.
Disse uma vez, com meia vergonha e meia ousadia,
que tinha um desejo estúpido:
fazer amor com um desconhecido.
Hoje vejo com clareza —
não era estupidez, era um grito.
O grito de quem queria ser tocada sem ser rejeitada.
O grito de quem confundia intensidade com verdade,
química com presença, pressa com destino.
Mas agora…
agora eu sou outra.
Agora, olho para trás com gratidão e firmeza.
Porque aquela que eu fui já não mora aqui.
Hoje, eu já não ofereço o meu corpo a quem não me saiba ler por dentro.
Hoje, eu sei que um abraço tem de ter alma,
e que um beijo só vale se for inteiro.
Hoje, eu já não corro atrás — caminho ao lado, ou não caminho.
Faz hoje um ano.
E que bênção saber que o tempo passou… e eu cresci.
Que já não procuro fogo onde não há raiz.
Que já não me perco no desejo de ser escolhida —
porque escolhi-me a mim.
Se algum dia eu me entregar de novo,
não será a um desconhecido,
mas a alguém que saiba ver-me
— mesmo quando estou calada.
Que me sinta
— mesmo quando estou longe.
Que me acolha
— sem pressa, sem jogo, sem medo.
Faz hoje um ano…
e eu celebro.
Celebro o fim daquele ciclo.
Celebro o início do meu reencontro.
Comigo.
Com Deus.
Com o amor que tem raízes —
e asas.
Hoje, relembro o dia em que tudo começou, não para o reviver, mas para o agradecer.
Porque mesmo o que foi errado me trouxe até aqui.
E aqui, onde me encontro, já não sou a mulher que um dia desejou o desconhecido
Sou a mulher que se reconhece.
Sou vento, sou brisa… mas também sou raiz.
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