"Escrevo-te com o coração cheio de perguntas e suspiros que ainda não encontraram resposta. Hoje, sinto-me um pouco à deriva, entre o medo de me perder e a vontade de me encontrar. Cada decisão parece pesada, cada passo parece ecoar num vazio que não consigo preencher.
Mas quero que saibas que mesmo neste turbilhão, há uma luz que nunca se apaga dentro de ti. Essa luz é a tua coragem silenciosa, a tua capacidade de amar, de esperar, de perdoar, mesmo quando o mundo te diz para desistir. Cada lágrima que derramas é um rio que lava a alma; cada dor é uma semente que, com o tempo, florescerá em força e serenidade.
Hoje talvez te sintas frágil, mas lembra-te: é na fragilidade que encontramos a beleza da vida. Permite-te chorar, permitir sentir, permitir ser. Não precisas de respostas imediatas, nem de certezas para continuar a caminhar. Cada passo, mesmo hesitante, é um encontro contigo mesma, um reencontro com a tua verdade.
Ao releres esta carta daqui a um ano, espero que sorrias para ti, que vejas como cresceste, como aprendeste a abraçar a tua própria paz, mesmo nos dias de tempestade. Espero que sintas orgulho da mulher que és e que continues a acreditar na magia de cada momento, na poesia que habita no simples acto de ser.
Margarida de hoje
Olho para ti e sinto amor e admiração. Olho para ti e reconheço a coragem que nem sabias que possuías. Hoje, essas lágrimas que te pareciam rios intermináveis tornaram-se pontes. As tuas dores transformaram-se em sabedoria, a tua fragilidade em presença, e os medos que te travavam agora são apenas sinais de crescimento.
Aprendi a esperar o tempo da vida, sem pressa, sem força, permitindo-me florescer com suavidade. A ansiedade deu lugar à confiança, a impaciência transformou-se em escuta do meu próprio ritmo. A tua vulnerabilidade ensinou-me a amar profundamente, primeiro a mim, depois aos outros.
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