Fio de Cobre

 Fio de Cobre

Vou por dentro
O caminho corta, cheio de espinhos invisíveis
Fome que rosna entre dentes
Raiva que se prende, leve ou dura
Vem de outros, de viagens que não compreendem
Que empurram sem saber, que ferem sem querer

Vou por dentro
Encontro o eu frágil, cheio de medo
Medo de se perder
Medo das ilusões caóticas
Empurro, largo, sinto
Tudo a queimar e a dissolver
Até chegar ao centro

Ao núcleo puro do eu
Aquele que sabe apenas o que deve saber

Nem a escola
Nem a vida
Dão tudo de uma só vez
Aprende-se aos poucos
Com paciência e cuidado
Senão a vida devolve um espelho turvo
Não é só cegueira
É não querer ver
O que a alma teima em mostrar

Fio de cobre, tom exato
Entrelaça-se com o observador interior
Confusão cresce, mistura-se, explode
Não se mede, sente-se no corpo
Coragem é observar
Questionar
Subir acima
Sem vaidade
Sem gestos para mostrar
Só com generosidade
Gentileza contigo mesma
E com a força de permanecer inteira

Margarida Baptista mensagens da alma 

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