O circuito da vida


O circuito da vida é simples, aberto e claro, mas nem sempre conseguimos sentir essa simplicidade. O que sentimos, o que guardamos, o que projetamos nos outros revela-se como espelhos da nossa própria essência. Este texto é um convite a olhar para dentro, a sentir e a honrar aquilo que habita no coração.
A música que escolhi para acompanhar esta reflexão é “Near Light” de Ólafur Arnalds, permitindo que cada palavra se expanda e ressoe no silêncio interior.

O circuito da vida é, na essência, simples, aberto, claro, limpo, brilhante. Sem peso, sem medida, sempre assim, fácil assim. Mas existem pessoas carregadas de medos, angústias, cheias de tudo e de nada, que acreditam que o outro tem de esperar, estar na sua órbita, oferecendo apenas migalhas na medida desmedida, que se entornam no chão cheio de verdades ocultas.

A Terra é testemunha de pés e mãos de destino claro, onde o para deixa ver no que dá. Onde não há clareza, só se entorna medo, dúvida e incerteza. Eu não gosto do “ni”, sou de extremos. Paciência é o que alguns querem ensinar-me, mas a verdade é única: as coisas são para ser ou certo ou não, branco ou preto, sim ou não. Não dá para orquestrar a vida no talvez; ou na deixa de deixa ver no que dá.


Por isso, o circuito da vida é fácil, doce, lindo, congruente com aquilo que se sente, com aquilo que mora no coração. Não dá para ser de outra forma. E é por isso que é importante ser fiel ao que se é. Com frequência faço a mim mesma a pergunta: “Quem sou eu?” A resposta surge, muitas vezes, através de um espelho, em outro alguém, conhecido ou não. O espelho mostra para onde devemos olhar, onde as camadas nossas e desse outro alguém podem curar-se, de dentro para fora, sempre ao avesso, como quem estende roupa para curar ao sol dourado da vida quente.

A cabeça rege, o coração guia, e a intuição dita. Tudo em consonância. O sentir é a nossa única salvação. Pobres são aqueles que se esqueceram de sentir aquilo que são, escondidos nas camadas infundas de si mesmos. 


Margarida Baptista 

Nota da autora:
Este texto surge de momentos de reflexão sobre os encontros e relações que moldam a nossa vida. Fala sobre o sentir, a autenticidade e o espelho que os outros nos devolvem, convidando cada leitor a olhar para dentro e a reconhecer as suas próprias camadas, medos e verdades.


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