Dizem que o vazio é ausência, mas não é. O vazio é uma presença densa, silenciosa, que ocupa o espaço onde antes morava o tudo. É uma sombra que pesa dentro do peito, uma sombra que lembra o que já foi luz.
O vazio é o eco de um amor que partiu, o frio que fica quando o fogo se apaga, a espera que se arrasta quando já não há promessa. O vazio é o altar onde o amor deixou de habitar.
Amor, esse sim, é tudo. É a corrente invisível que move o Universo, o sopro que faz nascer o dia. Está na ternura do olhar que acolhe, no gesto simples de quem cuida, na coragem de continuar quando a vida rasga por dentro.
Amor é o primeiro raio de luz a atravessar a madrugada. É a flor que insiste em brotar entre pedras. É o abraço que sustenta quando as forças se vão. É a rendição ao que é.
E quando o peito gela e o mundo parece deserto, não é o nada que nos visita, é a falta de amor por nós mesmos. É o esquecimento do nosso próprio sol.
O amor não é apenas encontro de corpos, nem a dança breve de um romance. Amor é uma linguagem antiga que fala em silêncio, que reconhece, que cura.
E eu, que caminho neste labirinto de espelhos, estou sempre a descodificar o que é o Amor. A tentar perceber, dentro e fora de mim, o que significa verdadeiramente Amar.
Talvez o Amor seja isto: continuar a procurar, mesmo quando o coração já sabe.
texto by Margarida Baptista palavras da alma
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