Nada


 

Nada.
Nada a opor-se, se nada tiver nada sem nada.

Dizem que o vazio é ausência, mas não é. O vazio é uma presença densa, silenciosa, que ocupa o espaço onde antes morava o tudo. É uma sombra que pesa dentro do peito, uma sombra que lembra o que já foi luz.

O vazio é o eco de um amor que partiu, o frio que fica quando o fogo se apaga, a espera que se arrasta quando já não há promessa. O vazio é o altar onde o amor deixou de habitar.

Amor, esse sim, é tudo. É a corrente invisível que move o Universo, o sopro que faz nascer o dia. Está na ternura do olhar que acolhe, no gesto simples de quem cuida, na coragem de continuar quando a vida rasga por dentro.

Amor é o primeiro raio de luz a atravessar a madrugada. É a flor que insiste em brotar entre pedras. É o abraço que sustenta quando as forças se vão. É a rendição ao que é.

E quando o peito gela e o mundo parece deserto, não é o nada que nos visita, é a falta de amor por nós mesmos. É o esquecimento do nosso próprio sol.

O amor não é apenas encontro de corpos, nem a dança breve de um romance. Amor é uma linguagem antiga que fala em silêncio, que reconhece, que cura.

Amor é verdade. Sempre.
Tudo o que se disfarça de amor, mas nasce da dúvida, do medo, da indiferença, da manipulação, é apenas ruído.

Amor é presença.
É estar, ver, ouvir e responder.
É respeitar o espaço do outro sem deixar de habitar o próprio.
É comunicação que não fere, é toque que não exige, é entrega que não se esgota.

E eu, que caminho neste labirinto de espelhos, estou sempre a descodificar o que é o Amor. A tentar perceber, dentro e fora de mim, o que significa verdadeiramente Amar.

Talvez o Amor seja isto: continuar a procurar, mesmo quando o coração já sabe.

texto by Margarida Baptista palavras da alma 

Comentários