Entre o que aprendi e o que desaprendi
Houve um tempo, desde 2023, em que a vida me obrigou a olhar de frente para tudo o que estava desalinhado. Nada foi poupado. Relações, escolhas, silêncios, excessos de esperança, lugares onde permaneci mais tempo do que devia. Olhar doeu. Mas foi necessário.
Vivi reprogramações emocionais, limpezas internas, ajustes subtis e outros bastante desconfortáveis. Coloquei ordem onde havia ruído, inclusive no que não era só meu, mas vinha de trás, do sistema, da ancestralidade. Foi como arrumar uma casa antiga, abrir gavetas esquecidas, devolver pesos que nunca me pertenceram.
Andei por lugares onde já não fazia sentido permanecer. Profissionalmente também. E a vida, com a sua inteligência silenciosa, foi mostrando. Não com gritos, mas com sinais. Onde havia tensão constante, não era o meu caminho. Onde o corpo se encolhia, não era casa. Onde o coração perdia luz, não era propósito.
Conheci pessoas que chegaram como espelhos e partiram como lições. Não ficaram, porque não era para ser. Conheci outras com um olhar diferente nos olhos, mais presente, mais consciente, mais alinhado. E isso ensinou me que a permanência não se força, ela acontece quando há verdade.
Porque este ano aprendi, talvez a maior lição de todas, que ser eu mesma é o meu verdadeiro eixo. Quando sou quem sou, tudo se organiza. Quando me alinho por dentro, a vida responde por fora.
Hoje sei que o meu lugar é magistral. Não por superioridade, mas por coerência. É o lugar de quem sabe quem é, de quem honra o próprio valor, de quem não precisa provar nada para brilhar.
E é nesse lugar que escolho permanecer.
Margarida Baptista
Comentários