Cadeira Vazia: Onde Habita a Tua Verdadeira Liderança?


  Cadeira Vazia: Onde Habita a Tua Verdadeira Liderança

Na vida, passamos tempo demais à procura de algo exterior, sem sequer termos a certeza se é isso que realmente queremos. Nessa busca incessante, algo se perde: a nossa identidade torna-se frágil, porque onde não há liderança interna, o caminho torna-se incerto. Falo com a propriedade de quem caminhou por terrenos carregados de minas e armadilhas. Sei o que é avançar sem uma mão firme que diga: "Estou aqui para ti". Recentemente, num sonho, vi a chave: uma menina e uma adulta invisível. A adulta dava a mão à criança, guiava-a, mas não se deixava ver. Essa menina,  a nossa essência, a nossa história, precisa de alguém que esteja lá de forma presente e visível. E a pergunta que ecoa no silêncio da alma é: "Tenho ocupado a minha verdadeira posição na vida?" O Reino e a Precisão de Cirurgia Eu descobri que o meu reino é lindo. Mas para que ele floresça, não basta olhar; é preciso agir com uma precisão de cirurgia. Uso o que chamo de "cola de rosas purificadas": uma mistura de inteligência, sensibilidade e cura que forma um tesouro inestimável. O meu trabalho, e o que pratico em mim mesma, não é romantizar a dor, mas sim acolher e amar cada parte de mim. Zelar pelo que habita cá dentro. As minhas práticas de sobrevivência e poder são simples, mas sagradas: Verificar o interior com honestidade. Meditar para silenciar o ruído. Nutrir o espírito fazendo o que amo,  como escrever estas letras que agora lês. Ao escrever, eu entrego o que sou. Faço-o para que a vida não me empurre, mas para que eu possa caminhar nela com os meus próprios pés. Quando a adulta se torna visível para a menina, a liderança nasce. E quando a liderança nasce, o silêncio finalmente ganha voz.

Pela primeira vez, não quero correr para ocupar cadeiras fora de mim. Quero sentar-me na minha. Olhar a criança nos olhos e dizer, sem pressa: eu estou aqui e não vou desaparecer. Liderar, hoje, é permanecer. É não me abandonar quando o desconforto aparece. É escolher ficar inteira, mesmo quando ainda estou a aprender a sê-lo. E é nesse ficar que a cadeira vazia deixa de existir.

Margarida Baptista

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