Amor é estado


 Amor é estado.

Amor é tudo o que existe e tudo o que já existiu.
Amor são ações, é presença, é o gesto simples de quem escolhe estar inteiro.

O amor não é complicado como muitas vezes dizem.

Amor é desejar a alma do outro, não apenas a sua forma.
É olhar, escutar, cuidar, permanecer.

O amor é caminho. Sempre.

Todos nós somos feitos dessa essência.
Não somos feitos de orgulho, nem de raiva, nem de teimosia ou desdém.
Muito menos de ódio.

O ódio é apenas o afastamento daquilo que verdadeiramente somos.

E é aí que mora o perigo.
Quando nos identificamos com essas emoções, perdemo-nos.
E às vezes, nesse desencontro, perdemos também pessoas maravilhosas que foram colocadas no nosso caminho para nos ajudar a recordar quem somos.

Há muitos livros a falar de um amor idealizado e romântico.
Muitos autores escrevem sobre o amor.

Mas, no fundo, o amor continua a ser apenas um estado.

Recentemente fui ver a peça A Gaivota, de Anton Chekhov.
Ali vemos as desilusões humanas, as perdas, os desencontros.

Vemos pessoas que não estão no mesmo lugar emocional.
Vemos manipulação para prender alguém que na verdade já não se ama.
Vemos quem enlouquece por se perder dentro do próprio sofrimento.
Vemos quem se entrega onde não existe ponte.

E vemos também o extremo da dor, quando alguém acredita que amar demais por alguém pode justificar desistir da própria vida.

Aquela peça mostra algo muito humano.

Amar é dar e receber.
Ponto.

Não há aqui nada de novo.

Mesmo nas relações afetivas acontece algo muito simples.
Quando conhecemos alguém e começamos a descobrir quem essa pessoa é, algo quase automático acontece.

Ou existe afinidade ou não existe.

Aquilo que muitas vezes chamamos de almas gémeas talvez seja apenas esse reconhecimento silencioso entre duas almas que conseguem encontrar-se no mesmo lugar de verdade.


Margarida Baptista

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